04.09 - 24.10.2026
RESIDÊNCIA JANAINA LEITE
E NÚCLEO DO OLHO
Instituto capobianco apresentam

Plataforma de Pesquisa e Criação
Ao longo de mais de quinze anos, os projetos desenvolvidos sob direção de Janaina Leite deram origem a uma rede de artistas e pesquisadores que compõem hoje o Núcleo do Olho. Esses colaboradores reunidos trabalham em processos continuados de investigação, em que cada obra, trabalho, publicação, oficina ou residência funciona também como ponto de partida para novas perguntas e novas criações.
A proposta de reunir esses espetáculos busca tornar visível a própria metodologia que estrutura essa trajetória: um modo de criação em espiral, baseado na pesquisa continuada, em que um trabalho engendra um próximo, pois a verticalidade das investigações e a radical implicação entre arte e vida, ética e estética, ao invés de apaziguar temas e encerrar questões, ao contrário, exige a movimentação em direção a novos ciclos.
O hibridismo de linguagens e a heterogeneidade de seus “produtos” — espetáculos de teatro, obras em realidade virtual, livros, oficinas, palestra-performance — apontam, de um lado, para o interesse em mergulhar em campos diversos do conhecimento como filosofia, antropologia, psicanálise, literatura, ciência e tecnologia; de outro, para a polifonia de seus encontros, agregando a essa rede cientistas, antropólogos, pornógrafos, psiquiatras e muitas outras “inteligências” que vêm, ao longo destes anos, fomentando o teatro em seu potencial de se fazer laboratório impuro tanto das discussões mais urgentes como daquelas extemporâneas, fermentadas nas sombras do tempo, longe dos debates já capturados pela positivação dos “temas atuais”.
Contemporâneo e arcaico, mítico e atual, o teatro é tomado por esses artistas aqui reunidos em seu potencial de se manter em certa zona inominável, por vezes abjeta, aberta ao risco, à experimentação e ao desassossego que as grandes questões sobre a vida e a morte nos despertam, sem cessar.
A seguir, um convite para seguir os fios materiais e imateriais que ligam um trabalho ao outro, uma ideia a outra, um artista ao outro, nessa nossa “plataforma” constituída aqui para mais uma travessia.
Núcleo do Olho
PEÇAS
STABAT MATER
A partir do texto teórico Stabat Mater (em latim, “Estava a mãe”), da filósofa e psicanalista Julia Kristeva, a artista e pesquisadora Janaina Leite propõe o formato de uma palestra-performance sobre o feminino, remontando à história da Virgem Maria, ao mesmo tempo em que tenta dar conta do apagamento de sua mãe em sua peça anterior, Conversas com Meu Pai. Acompanhada por sua própria mãe e pela figura de Príapo, personagem para o qual buscou-se um ator pornô, ela articula de forma radical temas historicamente inconciliáveis como maternidade e sexualidade. Em um processo de casting que reuniu profissionais renomados da pornografia, Janaina lançou a pergunta: “Você aceitaria fazer uma cena de sexo comigo dirigido pela minha mãe?”. Esta pergunta teve o papel de “dispositivo”, na medida que sua simples enunciação fazia mover um campo em que tema (maternidade e sexualidade) e forma (representação e performance) se sobrepunham. Tendo o terror e a pornografia como bases estéticas, Leite investiga as origens de um arranjo histórico entre o feminino e o masculino, que o trabalho tenta desarmar não sem antes correr riscos e enfrentar os mecanismos de gozo e dor que fixam essas posições.

04.09 - 03.10.2026*
sexta e sábado | 20h
domingo | 18h
* No dia 03.10, haverá sessão dupla às 16h e às 20h.
classificação indicativa: 18 anos
duração: 100 minutos
FICHA TÉCNICA:
CONCEPÇÃO, DIREÇÃO E DRAMATURGIA JANAINA LEITE PERFORMANCE Janaina Leite, Amália Fontes Leite e Lucas Asseituno DRAMATURGISMO E ASSISTÊNCIA DE DIREÇÃO Lara Duarte e Ramilla Souza DRAMATURGISMO E COLABORAÇÃO AUDIOVISUAL Lillah Halla DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA Wilssa Esser DIREÇÃO DE ARTE, CENOGRAFIA E FIGURINOS Melina Schleder ILUMINAÇÃO Paula Hemsi (ultraVioleta_s) INSTALAÇÃO DE VÍDEO E EDIÇÃO Laíza Dantas (ultraVioleta_s) DIREÇÃO TÉCNICA Lara Duarte OPERAÇÃO DE SOM E VÍDEO Lana Scott OPERAÇÃO DE LUZ Nara Zocher PREPARAÇÃO VOCAL Flávia Maria Campos PROVOCAÇÃO CÊNICA Kênia Dias e Maria Amélia Farah PARTICIPAÇÃO EM VÍDEO Loupan, Alex Ferraz, Hisak, Jota, Kaka Boy, Mike e Samuray Farias IDENTIDADE VISUAL E PROJEÇÕES Juliana Piesco PRODUÇÃO ORIGINAL Carla Estefan FOTOGRAFIAS André Cherri DIREÇÃO DE PRODUÇÃO Tetembua Dandara PRODUÇÃO EXECUTIVA Tati Mayumi COMUNICAÇÃO E DIFUSÃO Ariane Cuminale — VUELA
ALIEN(NADA)
A TERRA É UMA ADOLESCENTE
E O GRANDE FILTRO PODE SER
A AUTODESTRUIÇÃO DA HUMANIDADE
Entre ciência, fabulação e imaginário alienígena, a palestra-performance-sampler-audiovisual constrói uma montagem que aproxima teorias sobre o cosmos, adolescência, cultura audiovisual e paranoia, fazendo do alienígena um operador crítico para pensar a condição terrestre. Afinal, e se o verdadeiro problema não for a ausência de vida extraterrestre, mas a nossa incapacidade de durar o suficiente para encontrá-la? A partir do Paradoxo de Fermi — a aparente contradição entre a alta probabilidade de existência de vida extraterrestre e a ausência de evidências de contato — Alien(nada) desloca a questão do “onde estão os alienígenas?” para uma hipótese sobre nós mesmos. Se a Terra é ainda uma adolescente em sua trajetória cósmica, sua janela de existência pode ser breve demais para que qualquer comunicação interplanetária se complete. O chamado Grande Filtro pode estar justamente nessa passagem precoce para a autodestruição: aquecimento global, mudanças climáticas, arsenais nucleares e outras formas de devastação produzidas pela própria humanidade.

09 a 11.10.2026
sexta e sábado | 20h
domingo | 18h
classificação indicativa: 18 anos
duração: 75 minutos
FICHA TÉCNICA
IDEALIZAÇÃO, DRAMATURGIA, ATUAÇÃO E COLAGEM AUDIOVISUAL Lívia Machado DRAMATURGISMO E INTERLOCUÇÃO CÊNICA Janaina LeiteVISUALIDADES Paula Halker ILUMINAÇÃO Marcus Garcia e Marina Meyer PROVOCAÇÕES André Medeiros Martins, Lara Duarte e Tetembua Dandara FIGURINO Vanessa Alves DIREÇÃO DE PRODUÇÃO Tetembua Dandara PRODUÇÃO EXECUTIVA Tati Mayumi
O CORPO MATERIAL E IMATERIAL
EM SUAS BORDERLINES
A partir de um processo autoetnográfico de busca pessoal pelas origens de um som que pulsa há alguns anos dentro de sua cabeça, Janaina Leite revisita experiências perturbadoras em contato com os territórios da morte e da loucura. Entre elas, uma vivência de quase afogamento com seu filho mais velho. Nessa fronteira entre vida e decomposição inevitável da matéria, o corpo — esse arquivo sensorial — torna-se cartografia de pesquisa. Em diálogo com práticas de body art e pornografia, deslocamento de retina em cadáveres, aprendizados corporificados com psicodélicos e relatos de experiências de quase-morte, a palestra-performance investiga o corpo como último documento e os limites entre presença e dissociação, físico e virtual. Talvez o som seja um resíduo, aviso ou sintoma; talvez um porvir do último segundo que permaneceria no corpo antes da morte.
-p-500.jpg)
16 - 24.10.2026
sexta e sábado | 20h
domingo | 18h*
* No dia 24.10, haverá sessão dupla às 17h e às 20h.
classificação indicativa: 16 anos
duração: 60 min
FICHA TÉCNICA
CONCEPÇÃO, DIREÇÃO, DRAMATURGIA E PERFORMANCE Janaina Leite DIREÇÃO TÉCNICA Marcus Garcia INTERLOCUÇÃO DRAMATÚRGICA E ASSISTÊNCIA DE DIREÇÃO Lívia Machado DIREÇÃO DE PRODUÇÃO Tetembua Dandara PRODUÇÃO EXECUTIVA Tati Mayumi DIFUSÃO Ariane Cuminale - VUELA
LABORATÓRIOS
LABORATÓRIO
SINESTESIA
ALIENÍGENA
com Lívia Machado
Uma investigação sobre cruzamentos entre linguagens, materialidades e sensorialidades, aproximando práticas sinestésicas e imaginários alienígenas como possibilidades de criação e pensamento.
.avif)
LABORATÓRIO
PROJETOS AUTORAIS
E PROGRAMAS
PERFORMATIVOS
com André Medeiros Martins
Laboratório voltado ao desenvolvimento de projetos autorais em diferentes linguagens, utilizando os Programas Performativos como vetor de elaboração, experimentação e impulso para processos de criação.

