NOVÍSSIMO EDGAR
E WAGNER ANTÔNIO

URUTAU Uma investigação sonora dentro de uma instalação de luz.

Ministério da Cultura, Grupo Construcap
e Instituto Capobianco apresentam
VÉRTICE com

VÉRTICE

A música em estado de cena

Pode ser o ponto mais alto de um corpo, o encontro entre linhas, o eixo de um movimento, o redemoinho que faz diferentes forças girarem em torno de uma mesma energia. Vértice só não é um ponto imóvel, mas sim um lugar de convergência capaz de produzir transformação.

07 - 30.08
sexta e sábado | 20h
domingo | 18h

Classificação: 16 anos
Duração: 90 minutos

VÉRTICE é também o nome do novo programa anual de Residências Artísticas do Instituto Capobianco, criado para promover encontros entre música, teatro, performance, artes visuais e tecnologia a partir de um princípio fundamental: a música como origem do processo, ocupando o vértice da criação.
Realizado sempre no mês de agosto, o programa convida, a cada edição, um artista da música brasileira para desenvolver uma obra inédita em colaboração com uma direção cênica e uma equipe multidisciplinar. O resultado são criações concebidas especialmente para o espaço do Instituto, nascidas do diálogo entre diferentes linguagens e de uma investigação artística compartilhada.

A música entra em cena no Instituto Capobianco, aprofundando uma trajetória de mais de duas décadas dedicadas à pesquisa e à experimentação nas artes da cena.

A edição inaugural reúne Novíssimo Edgar e Wagner Antônio, artistas reconhecidos, na música e no teatro, por pesquisas que desafiam as fronteiras entre disciplinas.

Dessa colaboração nasce URUTAU, uma investigação sonora realizada dentro de uma instalação de luz. A obra articula música, performance e espacialidade em uma experiência imersiva, aproximando referências da música experimental, da poesia falada, de cantos tradicionais e de diferentes matrizes sonoras para construir um ambiente em constante transformação. É como atravessar um Brasil, ou um planeta, fraturado por fronteiras, violências e apagamentos, fazendo colidir ancestralidade, vida urbana, guerra, migração e embrutecimentos sociais.

A força de URUTAU está também em transformar música, corpos e objetos em vestígios vivos dessas tensões. Ao término de cada sessão, nada desaparece. O trabalho continua existindo como memória e posicionamento. A paisagem construída pela performance permanece ativa como instalação aberta à visitação do público, prolongando o tempo da obra para além do acontecimento performativo.

A cada nova edição de VÉRTICE, os artistas residentes desenvolvem uma criação original, com as singularidades de cada pesquisa, reafirmando a música como origem de um processo que continua reverberando e permanece em movimento depois da apresentação.


Instituto Capobianco

URUTAU nasce de uma ideia de tempo em espiral. Gosto de pensar que passado, presente e futuro podem coexistir e que uma ação interfere na outra, uma ação pode dar movimento à outra. A performance faz um panorama contemporâneo, mas com uma cronologia alterada, onde a gente vai do canto indígena ao canto árabe, do hip hop ao canto das lavadeiras, reunindo diferentes sonoridades que, quando se encontram, deixam de pertencer a uma época específica e passam a formar outra coisa. O impulso principal foi essa vontade de romper fronteiras que causam tanta desordem, guerras, sofrimentos e lamentos. O urutau, esse pássaro que se camufla e lamenta durante a noite, representa bem o universo poético da performance: essa capacidade de resistir, de se transformar e de sobreviver.

Os objetos que aparecem ao longo da performance são fundamentais. O piano, o varal, o orelhão e o mapa-múndi são os órgãos, a estrutura óssea e o sistema nervoso desse corpo-performance que começa a coexistir com a gente. O piano ocupa um lugar central na obra. Mais do que um instrumento, ele é investigado como matéria sonora, revelando outras possibilidades de escuta e transformação e ampliando as relações entre música, gesto e espaço.

O encontro com Wagner Antônio potencializou esse processo. Tenho meu método de criar, que parte também do improviso, de um lugar onde não existe erro. A gente dialoga bastante. São modos de trabalhar que se retroalimentam; cada um provoca o outro de um jeito positivo. Às vezes, o que me preocupa favorece ele, e vice-versa. Chamo URUTAU de performance porque esse nome mantém a obra aberta. É um campo onde a gente pode experimentar, reorganizar, trazer e retirar elementos, descobrindo novas possibilidades durante todo o processo.

Novíssimo
Edgar

Quando comecei a imaginar URUTAU, tive um sonho. Nele, cheguei à conclusão de que talvez o que eu devesse fazer fosse simplesmente construir um espaço com regras próprias, mas que também pudesse ganhar novos contornos e sentidos a partir da livre apropriação de Edgar e da Cia.

Edgar é um verdadeiro URUTAU. Alguém que sabe ler os mistérios e nos devolve esse saber através do som, em ações despojadas.

Dias antes desse sonho, ele compartilhou algumas reflexões sobre a ferramenta piano. Evidentemente, essas imagens atravessaram meu sono.

Sonhei com um piano de madeira. Ele estava parado no centro de um palco vazio, mas, ao mesmo tempo, eu conseguia perceber um movimento sutil: era como se procurasse outra forma para si.

Passei a pensar esse piano como uma matéria viva, em permanente transformação. A partir dessa imagem, comecei a imaginar um espaço que fosse uma reverberação desse piano em repouso, irradiando sua presença por todo o espaço cênico.

Tenho um interesse particular por criar espaços com ação própria, mas que preservem lacunas abertas e desejantes.

Gosto de pensar o espaço cênico como um organismo vivo: uma instalação, um laboratório, um espaço de criação, de encontro e de transmissão. Investigo como luz, som, vídeo, objetos e diferentes materialidades podem escrever uma dramaturgia própria e atuar performativamente em cena.

Em vez de dirigir um espetáculo de música com um cenário e uma iluminação, procurei criar um território onde performance, instalação e investigação sonora coexistam, abrindo espaço para que novos sonhos possam surgir em conjunto.

Foi nesse lugar que encontrei minha possibilidade de colaborar com Edgar. Tinha a certeza de que ele encontraria o invisível da instalação e costuraria, com sua presença e sua escuta, um belo ritual dentro dela.

Wagner
Antônio

TEMPORADA

VÉRTICE

07 - 30.08

sexta e sábado | 20h
domingo | 19h

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CONCEPÇÃO
Novíssimo Edgar

DRAMATURGIA, ENCENAÇÃO E INSTALAÇÃO CÊNICA
Novíssimo Edgar e Wagner Antônio

DIREÇÃO MUSICAL
Novíssimo Edgar

DIREÇÃO DE PALCO
Isabel Wolfenson

DIREÇÃO DE COREOGRAFIA
Augusto Trainotti  

REALIZAÇÃO E PRODUÇÃO
Instituto Capobianco

PRODUÇÃO EXECUTIVA
mútua - Mathilde Rousseaux

COORDENAÇÃO DE PROCESSO PEDAGÓGICO
Isabel Wolfenson e Wagner Antônio

ELENCO
Máximo Wassu
Sandra-X
Barbarelli
Eduarda Ayumi
Renanzeth
Augusto Trainotti
Novíssimo Edgar
William Kimura
Ricardo Kazvmba
Ruy Rascassi
Melifona
Farshad
Luana Almeida

PRODUÇÃO DE CAMPO
Mathilde Rousseaux
Luana Almeida

CENOTECNIA
Eduardo Magliano
Phillip Marinho

OPERAÇÃO DE SOM
João Vitor Monteiro

FOTOS
Helena Wolfenson

ASSISTÊNCIA DE FOTOGRAFIA
Yuri Reuters

COORDENAÇÃO DE ACESSIBILIDADE
7.1 Acessibilidade Criativa

CONSULTOR ARTÍSTICO DE LIBRAS
Alexandre Ohkawa

INTÉRPRETE DE LIBRAS
Eri Honorato Nunes 

INTÉRPRETE DE FEEDER
Gabrielle Martins

CONSULTOR DE AUDIODESCRIÇÃO
Gustavo Torniero

AUDIODESCRITOR
Anderson Nepomuceno

APOIO TÉCNICO AUDIODESCRIÇÃO
Rayssa Simeão

AGRADECIMENTOS
Rafaela Barbosa